Deep fakes desafiam democracia e ampliam papel do jornalismo
Deep fakes desafiam democracia e ampliam papel do jornalismo – A proliferação de vídeos, áudios e imagens falsificados por inteligência artificial ameaça corroer o consenso sobre fatos básicos no Brasil, alerta Marcelo Rech, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), em entrevista concedida à Rádio Jornal.
Em um país que se prepara para eleições municipais, Rech ressalta que o debate público só é saudável quando há mínima concordância a respeito do que realmente aconteceu. “Sem esse ponto de partida, desaparece a possibilidade de discutir soluções coletivas”, pontuou.
Como a tecnologia amplia a desinformação
Ferramentas capazes de recriar rostos e vozes com extremo realismo devem ser usadas de forma mais intensa durante o período eleitoral para fabricar “fatos que nunca ocorreram”, observa o dirigente. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já exige identificação de peças feitas com IA, mas grande parte do conteúdo circula de forma anônima ou em aplicativos fechados, o que dificulta o rastreamento, segundo informações do próprio TSE.
Uma pesquisa recente do Instituto Tecnologia e Sociedade (ITS) mostrou que 62% dos brasileiros temem não conseguir diferenciar um vídeo autêntico de um deep fake. O dado evidencia que a vulnerabilidade da população pode ser explorada por grupos políticos interessados em manipular o eleitor.
Jornalismo profissional como linha de defesa
Para Rech, o “antídoto” principal não é apenas a regulação, mas o fortalecimento de veículos com tradição na checagem dos fatos. Ele citou jornais e rádios regionais que, há décadas, mantêm equipes dedicadas à verificação rigorosa de informações.
O presidente da ANJ também denunciou uma estratégia sistemática de ataques a profissionais de imprensa, sobretudo mulheres, com o objetivo de descredibilizar a mensagem por meio da perseguição ao mensageiro. A tática, afirmou, busca impor uma narrativa única dentro de bolhas digitais, nas quais versões divergentes são descartadas como “fake news”.

Diante desse cenário, especialistas sugerem que o público desconfie de conteúdos sensacionalistas e verifique a procedência antes de compartilhar. A adoção de dupla autenticação em redes sociais e o monitoramento de contas suspeitas por plataformas também ajudam a reduzir a disseminação de falsidades profundas.
No encerramento da entrevista, Rech reiterou que fortalecer redações e investir em educação midiática são passos essenciais para preservar a democracia em tempos de inteligência artificial.
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