Falta de apoio ameaça clarins do frevo no Carnaval de PE
Nesta quinta-feira, 05/02/2026, o som dos clarins que anuncia o início das orquestras de frevo em Pernambuco corre o risco de silenciar. Sem apoio financeiro às agremiações carnavalescas do Grande Recife, músicos como o militar reformado André Luiz relatam cachês insuficientes e sessões em que “a gente toca por amor”. A situação expõe a fragilidade de uma tradição centenária que embala o Carnaval de Olinda e Recife.
Os clarins — instrumento de metal sem pistões herdado das bandas militares — marcam o início, as paradas e o fim dos desfiles de frevo. Segundo o empreendedor Paulo Reinaldo, do grupo Clarins de Olinda, há hoje mais blocos do que músicos disponíveis. “Os grandes grupos pedem dez clarins. Enviamos oito, seis, vamos dividindo para ninguém ficar sem som”, lamentou ele ao G1.
Baixo investimento pressiona músicos e blocos
O produtor Yonay Queiroz argumenta que a remuneração paga por prefeituras e blocos não cobre transporte, manutenção de instrumentos nem ensaios. “Sem verba, os clarins estão ficando raros”, afirmou. Dados preliminares da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) indicam queda de 18% nos repasses para bandas de rua em 2026, agravando o problema.
Tradição repassada “de ouvido” corre risco
Ao contrário de outros metais, os clarins não contam com partituras; o aprendizado se transmite oralmente. O músico André dos Clarins lembra que a técnica nasceu em bandas marciais e migrou para o frevo. A perda de veteranos sem novos alunos ameaça romper essa cadeia cultural. Para evitar o apagão, o grupo Clarins de Olinda planeja abrir uma escolinha gratuita, mas depende de patrocínio.
Público pode ficar sem o chamado do frevo
Sem reforço financeiro até o próximo desfile, blocos tradicionais de Pernambuco podem reduzir a quantidade de clarins, prejudicando a experiência do folião. A Secretaria de Cultura do estado informou, em nota, que busca editais emergenciais, mas não definiu prazos. Enquanto isso, artistas seguem ensaiando na marra para não deixar o Carnaval sem seu “coração sonoro”.
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