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domingo, fevereiro 22, 2026

Fictor Holding pede recuperação judicial após crise Master

Fictor Holding pede recuperação judicial após crise Master

Fictor Holding pede recuperação judicial após crise Master – O conglomerado financeiro viu seu patrimônio evaporar depois de ser associado à compra do problemático Banco Master, situação que desencadeou uma corrida de saques de R$ 4 bilhões e obrigou a empresa a recorrer à Justiça para manter as portas abertas.

No pedido protocolado em 31 de janeiro, a Fictor revelou ter perdido 71% dos recursos dos clientes em apenas 75 dias, acumulando dívidas que somam R$ 4,2 bilhões.

Da promessa de expansão ao colapso financeiro

Até outubro de 2025, a Fictor Holding era apresentada como um grupo sólido, presente do agronegócio ao patrocínio esportivo, sem indícios de falta de caixa.

A virada começou quando o controlador do Master, Daniel Vorcaro, anunciou a venda do banco a um suposto fundo árabe, citando a Fictor como parceira. Horas depois, Vorcaro foi preso em São Paulo, e o mercado passou a questionar a saúde das chamadas Sociedades em Conta de Participação (SCP) mantidas pela holding.

Efeito dominó e investigações

Em menos de uma semana, entre 15 e 21 de janeiro de 2026, foram registradas 5.783 solicitações de resgate. A desembargadora Maria Lúcia Pizzotti, do TJ-SP, bloqueou preventivamente R$ 150 milhões da empresa para garantir contratos de cartões corporativos.

O cerco apertou com a abertura de inquérito na Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro. Já o Banco Regional de Brasília (BRB) teme novo contágio e avalia reforço de capital estimado em até R$ 5 bilhões, refletindo a desconfiança generalizada.

Risco para investidores e para o sistema

O episódio renova o debate sobre proteção ao poupador. Hoje, o Fundo Garantidor de Créditos cobre até R$ 250 mil por CPF em cada instituição, limite que parlamentares tentam elevar. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos, o FGC já desembolsou mais de R$ 50 bilhões em ressarcimentos desde o início da crise Master.

Analistas lembram que investidores de SCP são os últimos na fila de pagamento em processos de recuperação, fator que aumenta a pressão sobre credores institucionais e pode travar novas emissões de dívida de curto prazo no mercado brasileiro.

Enquanto isso, a Fictor tenta renegociar passivos e preservar operações rentáveis, mas enfrenta cancelamentos de contratos — inclusive no futebol — e a dificuldade de reconquistar a confiança de clientes de alto poder aquisitivo.

Para acompanhar outras análises sobre o impacto econômico de grandes conglomerados, acesse nossa editoria Mundo.


Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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