Tempo de fala na Alepe acirra disputa entre blocos
Tempo de fala na Alepe acirra disputa entre blocos – O primeiro encontro plenário do ano, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), já evidenciou tensão entre base governista e oposição ao redor do controle do tempo no Pequeno Expediente.
Deputados oposicionistas usaram a estratégia de mencionar colegas em pronunciamentos para garantir direito de resposta e, assim, ocupar os 60 minutos regimentais sem possibilidade de apartes, dedicando o período a críticas à gestão estadual.
Estratégia será replicada pela base governista
Ao notar a manobra, a líder do governo, Socorro Pimentel (União), anunciou que repetirá o método nas próximas sessões, sinalizando que o Grande Expediente pode ficar comprometido. Ela acusou a oposição de agir “deliberadamente” para impedir o contraditório.
Na presidência dos trabalhos, o deputado Diogo Moraes (PSDB) rejeitou a acusação de conivência e explicou que o Regimento Interno garante questão de ordem quando há citação nominal. O texto está disponível no portal da Assembleia Legislativa de Pernambuco, que prevê cinco minutos para cada resposta.
Críticas ao governo dominam discursos
Entre os temas levantados, Rodrigo Farias (PSB) questionou repasses de cerca de R$ 100 milhões, nos últimos três anos, para a Casa de Saúde Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns. O parlamentar apontou aumento de 42 % no primeiro ano da atual gestão e relacionou a instituição ao marido da vice-governadora Priscila Krause (PSD).
Já Romero Albuquerque (PP) cobrou esclarecimentos sobre suposto rastreamento, pela Polícia Civil, de veículo da Prefeitura do Recife. Em resposta, Débora Almeida (PSDB) sustentou que a Procuradoria-Geral do Estado analisa medidas jurídicas e defendeu a legalidade dos procedimentos.
Especialistas em direito parlamentar lembram que impasses sobre tempo de fala são comuns em casas legislativas. O Regimento Interno da Câmara dos Deputados, por exemplo, destina no máximo 25 minutos ao Pequeno Expediente, reforçando que o excesso de questões de ordem pode ser contido pelo presidente da mesa. A Alepe, contudo, não fixa limite de pedidos de resposta, o que abre brecha para disputas como a registrada recentemente.

O episódio reforça a importância de uma revisão regimental, discutida desde 2023, para equilibrar voz de maioria e minoria e evitar paralisações que prejudiquem a tramitação de projetos prioritários, como o orçamento estadual.
No encerramento da sessão, ficou o sinal de que a próxima pauta deve reunir novas citações nominais e possível escalonamento do conflito, caso não haja acordo prévio em reunião de líderes.
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Crédito da imagem: Divulgação / Alepe