Pitombeira dos Quatro Cantos: da Olinda ao Oscar
Pitombeira dos Quatro Cantos: da Olinda ao Oscar – Fundada em 1947 a partir de um encontro informal de amigos nos emblemáticos Quatro Cantos de Olinda, a Pitombeira nasceu sem estandarte nem fantasia, mas com muita vontade de celebrar o frevo nas ruas históricas da cidade.
O galho de pitomba erguido como bandeira improvisada marcou o início de um dos blocos mais tradicionais do carnaval pernambucano, que, sete décadas depois, alcança as telas de cinema e o circuito mundial do Oscar.
Das ladeiras ao título de Patrimônio Vivo
Na década de 1950, o que era apenas um cortejo espontâneo ganhou organização: em 1953, a Pitombeira desfilou sua primeira fantasia, inspirada em presidiários, e passou a se estruturar como agremiação.
Em 2023, a história de resistência foi coroada com o reconhecimento de Patrimônio Vivo de Pernambuco, assegurando apoio institucional para preservar sua música, passistas e ações de formação cultural voltadas à comunidade.
Cinema amplia alcance e fortalece o frevo
A mais nova vitrine do bloco veio com o filme “O Agente Secreto”. Ao vestir a icônica camisa verde-amarela da Pitombeira, o personagem de Wagner Moura despertou a curiosidade do público e impulsionou as vendas: mais de 2.500 peças foram comercializadas, garantindo fôlego financeiro para os próximos carnavais.
Segundo a Empetur, o carnaval de Olinda costuma atrair cerca de 2,5 milhões de foliões e gerar R$ 190 milhões em receita turística; a visibilidade cinematográfica tende a ampliar ainda mais esses números, reforçando o frevo como patrimônio imaterial brasileiro.
Orquestra, passistas e inclusão social
A Pitombeira mantém orquestra própria e projetos de dança que formam passistas mirins, transformando a rua em sala de aula e fortalecendo o sentimento de pertencimento local.

Para Hermes Neto, diretor do bloco, “o passista é o principal embaixador do frevo”, papel que extrapola o desfile ao oferecer oportunidades culturais e sociais para crianças e adolescentes das ladeiras olindenses.
A camisa, agora eternizada no cinema, segue cumprindo sua função de financiar o cortejo e narrar a história viva do bloco, que percorre a cidade ladeira acima e abaixo ao som de muito frevo rasgado.
No embalo dessa trajetória de 77 anos, a Pitombeira dos Quatro Cantos reafirma que cultura popular se faz com paixão, coletividade e reinvenção contínua.
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Crédito da imagem: Divulgação / Pitombeira dos Quatro Cantos