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segunda-feira, fevereiro 23, 2026

Banco Master tinha só R$ 4 mi em caixa e R$ 127 mi a pagar

Banco Master tinha só R$ 4 mi em caixa e R$ 127 mi a pagar

Banco Master tinha só R$ 4 mi em caixa e R$ 127 mi a pagar – Relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal mostram que, na semana em que foi liquidado, em novembro de 2025, o Banco Master dispunha de apenas R$ 4 milhões em caixa para honrar obrigações imediatas que somavam R$ 127 milhões.

Os dados, detalhados em depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, indicam que a instituição controlada por Daniel Vorcaro operava em situação de insolvência.

Depósitos compulsórios também estavam em atraso

Além do descompasso entre caixa e dívidas, o Master acumulava cerca de R$ 2 bilhões em depósitos compulsórios não recolhidos ao BC – exigência que garante liquidez mínima ao sistema bancário.

Ailton de Aquino afirmou que, para um banco com aproximadamente R$ 80 bilhões em ativos, o normal seria possuir de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões em títulos líquidos, muito acima dos R$ 4 milhões efetivamente disponíveis, segundo as normas do Banco Central.

Risco adicional com o Will Bank e prejuízo ao BRB

O diretor também alertou que a eventual liquidação do Will Bank, braço digital do grupo, poderia ampliar o prejuízo do Banco de Brasília (BRB), que comprou carteiras de crédito do Master.

Mesmo antes do colapso, o BRB desembolsou R$ 12,2 bilhões por papéis que acabaram sendo substituídos por ativos igualmente problemáticos; a perda estimada pode superar R$ 5 bilhões.

Clientes de classes C e D preocupavam o BC

Segundo Aquino, o perfil majoritário de clientes do Will Bank – classes C e D – pesou na decisão inicial de poupar a fintech da liquidação. A diretoria colegiada temia alta inadimplência em caso de fechamento repentino.

A instituição acabou sendo colocada em Regime de Administração Especial Temporária, medida que não se mostrou suficiente para viabilizar a venda e, em 21 de janeiro de 2026, o Will também foi liquidado.

BC nega interferência política

Questionado pela Polícia Federal, o diretor garantiu não ter recebido pressão de autoridades para liquidar ou salvar o grupo financeiro. A abertura dos documentos pelo ministro Dias Toffoli aumentou a transparência sobre o caso.

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Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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