Ataque de tubarão em Olinda mata adolescente de 13 anos
Ataque de tubarão em Olinda matou o adolescente Deivson Rocha Dantas, de 13 anos, retirado do mar já sem vida na Praia Del Chifre, limite entre Olinda e Recife, na última quinta-feira (29).
Morador da Ilha do Maruim, o garoto sonhava em se tornar jogador de futebol e era visto com frequência em vídeos de danças de “passinho” nas redes sociais da comunidade.
Como ocorreu o ataque
Deivson entrou no mar acompanhado de amigos, sem o conhecimento da mãe. A mordida atingiu a coxa direita, região altamente vascularizada, causando hemorragia severa, segundo o médico Levy Dalton, do Hospital do Tricentenário.
Imagens gravadas na faixa de areia mostram banhistas socorrendo o adolescente e transportando-o em carro particular antes da chegada do Samu. A suspeita inicial dos pesquisadores é de que o animal seja um tubarão-cabeça-chata, espécie comum em águas turvas e rasas.
Por que a área é considerada de alto risco
A Praia Del Chifre integra o mapeamento do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) desde a década de 1990. Entre 1992 e 2023, o litoral pernambucano registrou 65 incidentes com esses animais, 25 deles fatais, de acordo com dados divulgados em relatórios da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac).
Especialistas apontam fatores ambientais que aumentam a probabilidade de encontros, como maré alta, águas turvas após chuvas e a proximidade de estuários. Já fatores sociais incluem a falta de opções de lazer para crianças de bairros vizinhos, o que leva muitas famílias a frequentar a praia diariamente.
Comunidade cobra prevenção
Moradores relatam que, apesar das placas de alerta, não há postos fixos do Corpo de Bombeiros nos fins de semana ou feriados. Valdenice, vizinha do garoto, defende a presença de guarda-vidas “ao menos de sexta a domingo” na orla.

Denise Alves, secretária executiva do Cemit, reconhece que parte das 150 placas de sinalização está depredada. Ela recomenda evitar o banho em maré alta, não entrar na água após chuvas fortes e manter distância de desembocaduras de rios.
A perícia que deve confirmar a espécie do tubarão conta com pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco. O laudo ajudará a orientar novas ações de monitoramento e mitigação.
No momento, a comunidade organiza rodas de conversa com escolas locais para reforçar orientações de segurança e planeja um ato simbólico em memória de Deivson na próxima semana.
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Crédito da imagem: Divulgação