Venda de carteiras podres do Banco Master gera divergências
Venda de carteiras podres do Banco Master gera divergências – Em acareação registrada no Supremo Tribunal Federal em 30 de dezembro, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, deram versões opostas sobre a origem de R$ 12,2 bilhões em carteiras inadimplentes compradas pela estatal em 2025.
O vídeo do depoimento, divulgado recentemente pelo portal Poder360, reanima a investigação da Polícia Federal sobre possíveis fraudes na operação.
Relatos conflitantes
Vorcaro sustenta que o BRB sabia que os créditos eram gerados por terceiros, citando a Tirreno, companhia criada em dezembro de 2024 que começou a repassar ativos ao Master no mês seguinte.
Ele afirma ter avisado o banco público sobre a mudança de estratégia, baseada na venda de carteiras “originadas por terceiros” e não mais pelo próprio Master.
Paulo Henrique Costa, por sua vez, declarou que entendia tratar-se de créditos originalmente do Master, recomprados de outros investidores antes de serem oferecidos ao BRB, e disse ter descoberto a participação da Tirreno apenas em maio de 2025, após notar “padrão comportamental diferente” nos recebíveis.
Montante bilionário sob suspeita
Segundo a Polícia Federal, entre janeiro e junho de 2025 o BRB pagou R$ 6,7 bilhões pelas carteiras e mais R$ 5,5 bilhões em prêmio, totalizando R$ 12,2 bilhões.
No mercado, a negociação de créditos inadimplentes é comum: somente em 2023, o sistema financeiro brasileiro alienou mais de R$ 100 bilhões em dívidas vencidas, de acordo com dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
O problema, apontam os investigadores, é que as carteiras negociadas com o BRB seriam “falsas” e vinham de uma empresa de prateleira, sem lastro real.

Consequências e próximos passos
A transação levou o Banco Central a liquidar extrajudicialmente o Banco Master; Vorcaro ficou preso por 11 dias e responde em liberdade. O caso corre no STF sob relatoria do ministro Dias Toffoli.
Se confirmadas as irregularidades, os envolvidos podem ser enquadrados por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro.
O BRB informou colaborar com as autoridades e revisar seus procedimentos de due diligence. Já a defesa de Vorcaro alega que as operações seguiram a legislação e que aguarda acesso integral aos autos.
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