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terça-feira, fevereiro 24, 2026

Irã planeja exercícios navais com munição real no Estreito de Ormuz

Irã planeja exercícios navais com munição real no Estreito de Ormuz

Irã planeja exercícios navais com munição real no Estreito de Ormuz – As forças navais da Guarda Revolucionária agendaram manobras para domingo (1º) e segunda-feira (2), em uma das rotas mais estratégicas do planeta para o transporte de petróleo e gás.

O Estreito de Ormuz concentra cerca de 20% da circulação global desses combustíveis, o que faz de qualquer movimentação militar na área um ponto de atenção para mercados e governos.

Manobras concentram drones e artilharia

Segundo a emissora estatal Press TV, os exercícios incluirão fogo real e o deslocamento do navio-mãe de drones IRIS Shahid Bagheri, capaz de lançar aeronaves não tripuladas de ataque e reconhecimento. Fontes militares indicam que navios de apoio e unidades de artilharia costeira também participarão.

O último treino semelhante ocorreu na terça-feira (27), quando embarcações iranianas fecharam setores de tráfego marítimo para testes balísticos, informou a BBC. A agência Reuters detalha que disparos de mísseis antinavio de curto alcance costumam fazer parte desse tipo de operação.

Tensão renovada com os Estados Unidos

A realização das manobras ocorre em meio à retórica cada vez mais dura entre Teerã e Washington. O presidente norte-americano Donald Trump voltou a citar “uma grande frota” a caminho do Oriente Médio, liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln, como forma de pressionar o governo iraniano por um novo acordo nuclear.

Autoridades iranianas reagiram dizendo que responderão “de forma imediata” a qualquer investida militar, mas reiteraram abertura ao diálogo, desde que haja respeito mútuo. Analistas de segurança avaliam que a presença simultânea de meios navais de ambos os países eleva o risco de incidentes não planejados no Golfo Pérsico.

Impacto econômico e cenário regional

O Estreito de Ormuz é vital para exportadores como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Kuwait. De acordo com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), cerca de 17 milhões de barris de petróleo passam diariamente pelo corredor marítimo. Qualquer interrupção temporária pode elevar o preço do barril em até 10%, segundo cálculos de bancos de investimento.

Países europeus e asiáticos acompanham a movimentação iraniana com preocupação. A União Europeia, principal destino das exportações de petróleo do Golfo, defende a manutenção de canais diplomáticos para evitar uma escalada que comprometa o abastecimento energético.

No Brasil, a Petrobras monitora o cenário porque variações bruscas no Brent impactam diretamente o custo de refinarias e, por consequência, os preços domésticos dos combustíveis.

Especialistas também destacam que o Irã vem investindo em drones e mísseis de curto alcance para contornar limitações impostas por sanções internacionais, ampliando sua capacidade de negar acesso adversário em áreas litorâneas.

Enquanto a data das manobras se aproxima, a comunidade marítima internacional recebe avisos de rota para desviar navios civis da zona de exercícios, prática padronizada em operações com munição real.

No desfecho das movimentações, diplomatas esperam que relatórios sobre o desempenho dos sistemas de drones iranianos sirvam de indicativo sobre o avanço do programa militar de Teerã.

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Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://pernambucoconectado.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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