8 de janeiro: cronologia do ataque às sedes dos Três Poderes
8 de janeiro: cronologia do ataque às sedes dos Três Poderes – Três anos depois, a sequência de eventos que culminou na invasão do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal, em 8 de janeiro de 2023, continua a servir de alerta sobre ameaças à democracia brasileira.
Da contestação do resultado eleitoral à depredação dos edifícios públicos, a trama reuniu protestos rodoviários, acampamentos diante de quartéis e episódios de violência que antecederam o domingo de caos em Brasília.
Bloqueios nas estradas acenderam o sinal de alerta
Logo após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro iniciaram bloqueios em mais de mil trechos de rodovias federais, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
As interrupções, concentradas nos primeiros dias de novembro de 2022, provocaram risco de desabastecimento e cancelamentos de voos. Embora o próprio Bolsonaro tenha pedido a liberação das vias, a ambiguidade de seu discurso alimentou teorias golpistas.
Acampamentos em quartéis mantiveram o movimento vivo
Com o recuo nos bloqueios, grupos bolsonaristas montaram barracas diante de mais de cem unidades militares, inclusive no Quartel-General do Exército em Brasília. Ali, manifestantes pediam “intervenção federal” e questionavam a legitimidade das urnas.
Investigação da Procuradoria-Geral da República aponta que os acampamentos funcionaram como base logística para os atos de 8 de janeiro, contando com financiamento privado e, em alguns casos, apoio de autoridades locais.
Violência escalou em dezembro
No dia 12 de dezembro de 2022, data da diplomação de Lula, extremistas tentaram invadir a sede da Polícia Federal e incendiaram veículos na capital. Menos de duas semanas depois, um artefato explosivo foi colocado em um caminhão-tanque próximo ao Aeroporto Internacional de Brasília; a bomba não detonou por falha no dispositivo.
Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública destaca que episódios de violência política cresceram 37 % em 2022, confirmando o clima de tensão que antecedeu os atos golpistas.

8 de janeiro de 2023: a ruptura à vista de todos
No primeiro domingo após a posse, milhares de manifestantes marcharam pela Esplanada dos Ministérios, romperam barreiras policiais e invadiram as sedes dos Três Poderes. Salas foram saqueadas, obras de arte destruídas e vidraças quebradas.
Na avaliação do Supremo Tribunal Federal, o episódio configurou tentativa de golpe de Estado. Até o momento, mais de 1,3 mil pessoas respondem a ações penais por crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
O governo federal instituiu uma cerimônia anual no Palácio do Planalto, em 8 de janeiro, para reafirmar o compromisso com a democracia. Em 2026, o evento contou com representantes dos três Poderes e organizações da sociedade civil.
No Congresso, projetos para endurecer penas contra crimes de motivação política tramitam em regime de urgência, enquanto o Executivo investe em programas de educação cívica para impedir a repetição de cenas semelhantes.
Para acompanhar outras análises e desdobramentos da vida pública nacional, acesse nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil